quarta-feira, 5 de outubro de 2011

''Memória de minhas putas tristes.''

Fui atrás de Alice.
Não achei nada.
Achei a Summer.
''Me leva pra casa? ou até a viela.''
Não sei dizer não.
''Mudei de casa, sabia?''
Sim, sabia.
''Me da sua mão, não enxergo os degraus dessa viela.''
Segurou minha mão, apertou forte.
''Então Elivelton, só queria dizer que não te esqueci....''
E foi diminuindo o passo; ''Eu queria saber se você tem alguém... sei lá... só pra saber...''
Resolvi dançar conforme a música, disse que não tinha ninguém.
''A gente podia ser feliz, rir, igual aquele tempo, lembra?''
Claro... Mais gente me fazendo lembrar do futuro?
''Aquele tempo que em andávamos de mãos dadas... lembra ?''
A mão dela foi minha moradia por um curto tempo, mas foi inesquecivel.
''Eu queria saber... se... Você quer ficar comigo... Só pra gente tentar... sei lá... Ser feliz de novo.''
Nunca fui feliz do lado dela, mas não quis machuca-lá...
''O pior de tudo é que nós dois saímos feridos... não é?..''
Eu não sai machucado, sempre machuquei ela, mas sempre continuou ao meu lado.
Fez cara de menina sem dono, me senti mal, pensei que começaria a chorar.
''Vai pra casa, já é quase meia-noite'', Falei, mas ela nunca me obdeceu.
''Sinto falta daquele tempo em que você andava de skate na minha rua, e eu ficava te olhando da janela.''
Aquela rua não vale mais nada.
Nem eu.
Talvez por isso um não larga do outro.
''Vai pra casa...'' Falei de novo.
''Tudo bem, to indo, mas.... Se você pensar em mim, vou estar aqui, pra quando você precisar... Tenho medo que você um dia não precise.''
''Tenho medo de um dia precisar... vai pra casa vai... Não perde tempo com o passado...''
''Ta bom... te amo tá?''
''Não posso responder o mesmo, ia estar mentindo pra mim e pra você...''
Pisquei e sorri.
Ela deu um sorriso,
e fez cara de choro.
Dei as costas, aumentei o volume da música do fone, não olhei pra trás.
Não olhei pro passado.
Não olhei pra lugar nenhum.

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