Jullian me batia enquanto eu dormia.
''A chuva cai lá fora e aumenta o ritmo, sozinho, eu sou agora o meu inimigo intimo.''
Marcas de arranhões pela pele e vermelhidão pelo pescoço.
Ele falava sobre seu passado, e eu escutava, ele falava sobre uma viagem no tempo que não me convidou...
Tem um gole de felicidade ou saudades? Perguntei.
Ele se calou, talvez porque esbarrei no ''play''.
Filho da puta...
Sim, sim, ela cozinhava bolos pra você.
Eu também chorei.
Eu também senti falta...
Bem-vindo ao clube!
''It's all over now, Baby Blue.''
''I’ve grown so cold, at the thought of trying out a different lover. ''
Christofer Drew (Nevershoutnever!)
sábado, 31 de dezembro de 2011
Ano que vem talvez...
Então caiu a chuva.
Com ela, as aranhas nos cobria e nos protegia dos pingos.
Conseguíamos ver as marcas na calça jeans.
A felicidade não fazia mais tanto efeito.
Na mochila, 20 quilos de desilusão.
''Pare o mundo que eu quero descer.''
Jullian era um cachorro de rua sem rabo e com sarnas por todo o corpo.
''Ele estava tão feliz, morto e tão feliz...''
Com ela, as aranhas nos cobria e nos protegia dos pingos.
Conseguíamos ver as marcas na calça jeans.
A felicidade não fazia mais tanto efeito.
Na mochila, 20 quilos de desilusão.
''Pare o mundo que eu quero descer.''
Jullian era um cachorro de rua sem rabo e com sarnas por todo o corpo.
''Ele estava tão feliz, morto e tão feliz...''
Uma criança com seu olhar.
E então, ela tinha que voltar ao seu reinado.
- Vai dar um abraço no Velton. Alguém gritou.
Veio correndo e pulou no meu colo.
- Tchau, até sexta... Falou enquando sorria muito.
- Tchau, e cuida da sua mãe porra, ela é o que você tem de mais valioso.
Desceu do meu colo e correu pro lado da sua mãe gritando:
- O Velton falou palavrão!
- Vai dar um abraço no Velton. Alguém gritou.
Veio correndo e pulou no meu colo.
- Tchau, até sexta... Falou enquando sorria muito.
- Tchau, e cuida da sua mãe porra, ela é o que você tem de mais valioso.
Desceu do meu colo e correu pro lado da sua mãe gritando:
- O Velton falou palavrão!
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Just a word
- Você é um menino frio com personalidade insuportável com distúrbios de sentimentalismo... Mas é legal... As pessoas te amam, lembra?
- Não... Não me lrmbro de nada...
- Não... Não me lrmbro de nada...
O pobre caronte...
Jullian era o motorista.
''Se prepara pra mais uma viagem!''
Mesmo sem querer.
No barco, vários sonhos falidos e pessoas com rostos borrados.
Garcia Marquez era o pedinte.
O aviso dizia: ''Não se sente ao lado de ninguém''.
Nunca obedeci nada.
''Tudo que eu toco vira pedra...''
Porra...
Percebe que chegou a conclusão de mais uma teoria sem sentido pros outros, e com muito sentido pra você.
A borboleta bateu as assas, e voou, sumiu, pra nunca mais voltar.
Sorte a dela.
Enquanto continuo aqui, dia após dia.
Jullian filho da puta...
''Se prepara pra mais uma viagem!''
Mesmo sem querer.
No barco, vários sonhos falidos e pessoas com rostos borrados.
Garcia Marquez era o pedinte.
O aviso dizia: ''Não se sente ao lado de ninguém''.
Nunca obedeci nada.
''Tudo que eu toco vira pedra...''
Porra...
Percebe que chegou a conclusão de mais uma teoria sem sentido pros outros, e com muito sentido pra você.
A borboleta bateu as assas, e voou, sumiu, pra nunca mais voltar.
Sorte a dela.
Enquanto continuo aqui, dia após dia.
Jullian filho da puta...
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Só mais uma história...
O primo dela morreu...
Hum...
Morreu não, se matou...
Bem feito...
O que?
Bem feito... Gente fraca tem que se matar mesmo...
Olha como você fala...
Nem sei quem ele era...
Você só conhecia de vista...
Hum...
A mulher dele foi buscar as filhas na escola ou algo assim, e quando voltou ele estava pendurado com uma corda no pescoço....
Hum...
Sua frieza é algo incrivel!
Não é frieza... É só saber com o que ou quem se importar.
Hum...
Morreu não, se matou...
Bem feito...
O que?
Bem feito... Gente fraca tem que se matar mesmo...
Olha como você fala...
Nem sei quem ele era...
Você só conhecia de vista...
Hum...
A mulher dele foi buscar as filhas na escola ou algo assim, e quando voltou ele estava pendurado com uma corda no pescoço....
Hum...
Sua frieza é algo incrivel!
Não é frieza... É só saber com o que ou quem se importar.
O copo está ''meio cheio''
Não sei porque.
Tinha dinheiro no bolso e um lembrete de que não era minha hora.
Saudades ou Felicidade, pensei demais.
Fiquei com a Solidão, ''uma dose por favor''.
O Garcia Marquez gritava mais alto.
A Solidão desceu rasgando, o primeiro gole do dia é sempre o que reanima, imagine o da noite...
Me desabei.
Realmente...
Desabei...
Saudades de Jullian, filho da puta...
Tinha dinheiro no bolso e um lembrete de que não era minha hora.
Saudades ou Felicidade, pensei demais.
Fiquei com a Solidão, ''uma dose por favor''.
O Garcia Marquez gritava mais alto.
A Solidão desceu rasgando, o primeiro gole do dia é sempre o que reanima, imagine o da noite...
Me desabei.
Realmente...
Desabei...
Saudades de Jullian, filho da puta...
domingo, 18 de dezembro de 2011
Parabéns...
Você cresceu.
Muito.
Mesmo.
Sabe que não sou o melhor do mundo, e sabe muito bem disso.
Mas te protejo desde pequena.
Desde que te olhei pela primeira vez sabia que tinha que te cuidar.
Agora sou ausente, mas não diminui meu nível de proteção.
(...)
Já comprei seu presente, espero que goste.
Não sei presentear, mas sei cuidar de você.
Te amo.
E você sabe disso...
Muito.
Mesmo.
Sabe que não sou o melhor do mundo, e sabe muito bem disso.
Mas te protejo desde pequena.
Desde que te olhei pela primeira vez sabia que tinha que te cuidar.
Agora sou ausente, mas não diminui meu nível de proteção.
(...)
Já comprei seu presente, espero que goste.
Não sei presentear, mas sei cuidar de você.
Te amo.
E você sabe disso...
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
E Cerberus rosnava em seu portão...
Faz tempo que não te vejo...
Eu sei...
Nunca mais veio em casa, não me faz mais visitas...
Não tenho mais tempo pra isso...
''isso''?...
É...
Nossa, é assim que você diz?..
Para de drama, por favor...
Sabe qual é o seu problema?
Sei...
Sabe mesmo?
Claro que sei...
E qual é?
Ainda dar atenção pra você...
Desliguei o telefone, e sorri.
Eu sei...
Nunca mais veio em casa, não me faz mais visitas...
Não tenho mais tempo pra isso...
''isso''?...
É...
Nossa, é assim que você diz?..
Para de drama, por favor...
Sabe qual é o seu problema?
Sei...
Sabe mesmo?
Claro que sei...
E qual é?
Ainda dar atenção pra você...
Desliguei o telefone, e sorri.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
- Like old times...
Queria que meu telefone tocasse agora, e fosse você me chamando para fugirmos daqui...
Ou então, você pergunta aquele ''você tá bem?'' pra eu dizer que ''não'', e termos assuntos pra virar a noite acordados.
Como nos velhos tempos...
O tempo não para.
E também não volta atrás...
Não que eu queira voltar atrás, só estou sentindo saudades, acho que isso não mata, só me deixa pra baixo...
Ou então, você pergunta aquele ''você tá bem?'' pra eu dizer que ''não'', e termos assuntos pra virar a noite acordados.
Como nos velhos tempos...
O tempo não para.
E também não volta atrás...
Não que eu queira voltar atrás, só estou sentindo saudades, acho que isso não mata, só me deixa pra baixo...
While I'm sittin' at home, smile's upside down and I know you blame this on me
The passing time - Nevershoutnever!
The passing time - Nevershoutnever!
Ever so sweet
Tudo bem...
Pra não dizer que não acreditei na teoria do bolo...
Tomei no cú?...
Talvez...
(...)
Sabe, eu nunca fui especial.
(...)
Preciso beber algo, talvez felicidade.
Preciso de um fardo de felicidade.
Tem saudades na geladeira.
Pra não dizer que não acreditei na teoria do bolo...
Tomei no cú?...
Talvez...
(...)
Sabe, eu nunca fui especial.
(...)
Preciso beber algo, talvez felicidade.
Preciso de um fardo de felicidade.
Tem saudades na geladeira.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Eu FUI igual a você.
Pediu minha ajuda.
Larguei tudo.
Pensei que quando chegasse teria aquele sorriso e os olhos brilhando de sempre.
Mas não...
Foi diferente.
Ela estava abaixada como aqueles papéis que simulam acidentes em aviões.
Cabeça no joelho, sabe?
Chorava.
- Ta bem?
- Pareço bem?
Comprimentei com um beijo no rosto, senti o seu rosto molhado...
Sentei.
Fiquei sem reacção.
Fiz o que sempre fiz quando vejo alguém chorar.
Ri, eu sempre fico sem reação quando vejo mulher chorar.
Com ela não foi diferente.
Ela chorava e ria.
Sei lá...
Não sei porque eu ria, não sei porque ela ria também.
Talvez ela chorava de rir.
Falava: ''Que bosta, ele não merece minhas lágrimas!''.
Eu balançava a cabeça fazendo que sim...
(...)
Falamos merda.
Falamos sobre amigos.
Falamos sobre o passado.
Falamos sobre o futuro.
Falamos merda novamente.
Larguei tudo.
Pensei que quando chegasse teria aquele sorriso e os olhos brilhando de sempre.
Mas não...
Foi diferente.
Ela estava abaixada como aqueles papéis que simulam acidentes em aviões.
Cabeça no joelho, sabe?
Chorava.
- Ta bem?
- Pareço bem?
Comprimentei com um beijo no rosto, senti o seu rosto molhado...
Sentei.
Fiquei sem reacção.
Fiz o que sempre fiz quando vejo alguém chorar.
Ri, eu sempre fico sem reação quando vejo mulher chorar.
Com ela não foi diferente.
Ela chorava e ria.
Sei lá...
Não sei porque eu ria, não sei porque ela ria também.
Talvez ela chorava de rir.
Falava: ''Que bosta, ele não merece minhas lágrimas!''.
Eu balançava a cabeça fazendo que sim...
(...)
Falamos merda.
Falamos sobre amigos.
Falamos sobre o passado.
Falamos sobre o futuro.
Falamos merda novamente.
domingo, 11 de dezembro de 2011
Lá
E assim vai.
O silêncio ensurdecedor.
O vazio que enche a cabeça.
Jullian que nunca mais voltou.
Filho da puta...
- O que tem nessa garrafa?
- Felicidade...
- Posso dar mais um gole?
O silêncio ensurdecedor.
O vazio que enche a cabeça.
Jullian que nunca mais voltou.
Filho da puta...
- O que tem nessa garrafa?
- Felicidade...
- Posso dar mais um gole?
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Lá
É bem por aí
Você senta na frente do note e tenta escrever algo agradável.
Liga a tv e deixa sem som.
Pega um copo e enche de saudade.
Da um suspiro de ''admito, eu não presto''.
Esvazia o copo de saudades em um gole só.
Alguém liga a luz da sala e pergunta se você já chegou.
E você responde ''Sim, já cheguei...''
Percebe que você é o único acordado na casa.
Pensa em ir dormir.
Olha pro celular e vê que ainda é 02:34 am.
Lembra que vive interpretando papéis, que existe 3 ou mais de você.
Mas percebe que vale a pena.
Vai valer...
Você senta na frente do note e tenta escrever algo agradável.
Liga a tv e deixa sem som.
Pega um copo e enche de saudade.
Da um suspiro de ''admito, eu não presto''.
Esvazia o copo de saudades em um gole só.
Alguém liga a luz da sala e pergunta se você já chegou.
E você responde ''Sim, já cheguei...''
Percebe que você é o único acordado na casa.
Pensa em ir dormir.
Olha pro celular e vê que ainda é 02:34 am.
Lembra que vive interpretando papéis, que existe 3 ou mais de você.
Mas percebe que vale a pena.
Vai valer...
domingo, 4 de dezembro de 2011
Não me leve a mal.
- Por que fez aquilo comigo?
- Aquilo o que?
- Me tratou mal...
- Sempre fiz isso... é de minha natureza rs
- Mas você nunca tinha me tratado daquele modo...
- Sei, sei...
- Você é tão infantil...
- Então vá procurar um amigo mais ''crescidinho''.
- Você tá tão estúpido, eu nunca te fiz nada...
- Quer que eu vá embora?
- Esse é o seu problema, sempre quer sumir...
- Não tente me entender...
- Nunca tentou explicar...
- Não vale a pena.
- Por que?
- Porque sim, não inventa, não to afim de contar histórias repetidas... Um dia eu vou deixar de tratar as pessoas mal.
- Quando?
- Quando eu sumir daqui...
- Não vai fazer besteira...
- Se viver pra você é besteira, vou fazer besteira pra caralho.
- Não é fazer ''besteira pra caralho'', é só não tratar as pessoas mal.
- Odeio tempestade em copo d'agua sabia? amanha voce vai esquecer de tudo isso...
- Tudo bem então, não vai me pedir desculpas?
- Não, não vou me desculpar pelo meu modo de ser...
- Aquilo o que?
- Me tratou mal...
- Sempre fiz isso... é de minha natureza rs
- Mas você nunca tinha me tratado daquele modo...
- Sei, sei...
- Você é tão infantil...
- Então vá procurar um amigo mais ''crescidinho''.
- Você tá tão estúpido, eu nunca te fiz nada...
- Quer que eu vá embora?
- Esse é o seu problema, sempre quer sumir...
- Não tente me entender...
- Nunca tentou explicar...
- Não vale a pena.
- Por que?
- Porque sim, não inventa, não to afim de contar histórias repetidas... Um dia eu vou deixar de tratar as pessoas mal.
- Quando?
- Quando eu sumir daqui...
- Não vai fazer besteira...
- Se viver pra você é besteira, vou fazer besteira pra caralho.
- Não é fazer ''besteira pra caralho'', é só não tratar as pessoas mal.
- Odeio tempestade em copo d'agua sabia? amanha voce vai esquecer de tudo isso...
- Tudo bem então, não vai me pedir desculpas?
- Não, não vou me desculpar pelo meu modo de ser...
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Vou cuidar dos meus...
Acordei tarde, com gosto ruim na boca e a sensação de que tinha apanhado a noite inteira.
Virou rotina?
Sonhei com zumbis.
Lembrei de Sophia, ela também adora zumbis.
Lembrei de Alice, ela também adorava zumbis.
Lembrei de Marla, ela não gostava de zumbis.
Lembrei de Penny, nunca perguntei se ela gosta zumbis...
Virou rotina?
Sonhei com zumbis.
Lembrei de Sophia, ela também adora zumbis.
Lembrei de Alice, ela também adorava zumbis.
Lembrei de Marla, ela não gostava de zumbis.
Lembrei de Penny, nunca perguntei se ela gosta zumbis...
Zombies are coming... (Prefácio)
- Não sei ao certo quando isso aconteceu, talvez uns 5 ou 6 meses.
Foi tudo tão derrepente, começou do outro lado do mundo, e, do nada, já tinha chegado na nossa cidade.
Me lembro a primeira vez que vi um deles, era uma segunda-feira de manhã, não tinha muito sol, mas estava calor. Meu pai me acordou cedo demais, me tirou da cama me pegando no colo e falou ''não olhe pra rua, por favor, não olhe pela janela''. Woody latia desesperado, como se tivesse algo tentando mata-lo, passamos do lado do monstro, ele mordia Woody com ferocidade, tinha uma poça de sangue no chão, talvez o sangue do Woody, ele não latia mais, nem chorava, não nos acordaria de madrugada, estávamos fugindo daquela cidade, e talvez, ele esteja morto agora.
Meu pai me jogou no banco de trás do carro, minha mãe já estava lá, e já tinha algumas malas, ela me deu um cobertor e pediu pra mim me esconder de baixo dele. Meu pai carregava uma arma no colo, nunca tinha visto uma antes, nunca pensei que veria uma. Ele dirigia com desespero nos olhos, e percebi uma lagrima escorrer antes de me cobrir, minha mãe tomava cuidado pra que eu não saísse debaixo do cobertor. Eles me protegiam, não era tão jovem assim.
Eles me protegiam muito, talvez como se protegessem uma garotinha de 5 anos, porque você nos deixou? Era pra você estar de baixo daquele cobertor enquanto eu olhava pela janela, enquanto eu olhava o monstro comendo Woody. Você amava o Woody, e eu, amava você...
Aquela cidade era mais colorida quando brincávamos no playground daquela praça Talvez eu deva parar de escrever sobre você, pelo menos por aqui. (...)
Fiquei o caminho todo debaixo do cobertor, um garoto de 17 anos não podendo olhar pela janela do carro e ouvindo minha mãe dizer ''Tudo vai ficar bem querido, não se preocupe...''
Estávamos a quase uma hora dentro do carro, eu já estava muito suado e com falta de ar, minha mãe cuidando para que eu não saísse de baixo dele, eu escutava barulho de choro que vinha do lado de fora e também vinha de dentro do carro. encontrei uma brecha no cobertor e olhei para a frente, o céu tinha escurecido rápido, não reconhecia aqueles prédios, a cidade estava calada, talvez não tivesse monstros ali...
- Que porra é essa mano? Toda vez que você fica bêbado conta a mesma história, eu já conheço de cór e salteado... Para de beber, me da essa garrafa, vai dormir, eu fico vigiando...
Foi tudo tão derrepente, começou do outro lado do mundo, e, do nada, já tinha chegado na nossa cidade.
Me lembro a primeira vez que vi um deles, era uma segunda-feira de manhã, não tinha muito sol, mas estava calor. Meu pai me acordou cedo demais, me tirou da cama me pegando no colo e falou ''não olhe pra rua, por favor, não olhe pela janela''. Woody latia desesperado, como se tivesse algo tentando mata-lo, passamos do lado do monstro, ele mordia Woody com ferocidade, tinha uma poça de sangue no chão, talvez o sangue do Woody, ele não latia mais, nem chorava, não nos acordaria de madrugada, estávamos fugindo daquela cidade, e talvez, ele esteja morto agora.
Meu pai me jogou no banco de trás do carro, minha mãe já estava lá, e já tinha algumas malas, ela me deu um cobertor e pediu pra mim me esconder de baixo dele. Meu pai carregava uma arma no colo, nunca tinha visto uma antes, nunca pensei que veria uma. Ele dirigia com desespero nos olhos, e percebi uma lagrima escorrer antes de me cobrir, minha mãe tomava cuidado pra que eu não saísse debaixo do cobertor. Eles me protegiam, não era tão jovem assim.
Eles me protegiam muito, talvez como se protegessem uma garotinha de 5 anos, porque você nos deixou? Era pra você estar de baixo daquele cobertor enquanto eu olhava pela janela, enquanto eu olhava o monstro comendo Woody. Você amava o Woody, e eu, amava você...
Aquela cidade era mais colorida quando brincávamos no playground daquela praça Talvez eu deva parar de escrever sobre você, pelo menos por aqui. (...)
Fiquei o caminho todo debaixo do cobertor, um garoto de 17 anos não podendo olhar pela janela do carro e ouvindo minha mãe dizer ''Tudo vai ficar bem querido, não se preocupe...''
Estávamos a quase uma hora dentro do carro, eu já estava muito suado e com falta de ar, minha mãe cuidando para que eu não saísse de baixo dele, eu escutava barulho de choro que vinha do lado de fora e também vinha de dentro do carro. encontrei uma brecha no cobertor e olhei para a frente, o céu tinha escurecido rápido, não reconhecia aqueles prédios, a cidade estava calada, talvez não tivesse monstros ali...
- Que porra é essa mano? Toda vez que você fica bêbado conta a mesma história, eu já conheço de cór e salteado... Para de beber, me da essa garrafa, vai dormir, eu fico vigiando...
A garota dos sapatos vermelhos
- Qualquer coisa... Fala comigo, me liga, Sabe? Eu não vou tornar as coisas mais faceis, mas sei lá...
Posso arrancar algumas risadas suas. Talvez, não sei.. só talvez, você se sinta melhor ou só escreva.. Quero dizer, ''eu to aqui'' ta?
Posso arrancar algumas risadas suas. Talvez, não sei.. só talvez, você se sinta melhor ou só escreva.. Quero dizer, ''eu to aqui'' ta?
E assim veio a garoa que virou chuva.
O copo de saudades que esvaziou.
As promessas que foram feitas para serem quebradas.
A cura que virou placebo.
O tapa na cara que virou experiencia.
O adeus que não virou um simples ''até mais.''
E Julliian que também nunca mais voltou.
O copo de saudades que esvaziou.
As promessas que foram feitas para serem quebradas.
A cura que virou placebo.
O tapa na cara que virou experiencia.
O adeus que não virou um simples ''até mais.''
E Julliian que também nunca mais voltou.
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