Eu nunca pensei que sentiria saudades daquele lugar.
Talvez eu não sinta saudades do lugar, mas sim, daqueles dias.
Aquelas formigas que nos davam boas-vindas com uma frase de um livro que dizem ser sagrado;
Os dias em que olhávamos as luzes da cidade se acender devagar através das janelas sujas;
Nos dias em que riamos das nossas próprias desgraças sem pensar no futuro, porque, ali era nosso futuro;
Aqueles cartazes mal feitos, só para ganhar créditos, que depois de alguns dias, virariam cinzas.
Nossas risadas vão ecoar ali, pra sempre;
Nós éramos comandados por sinais ensurdecedores, que dizia pra onde deveríamos ir;
Lá, conheci Sophia.
Lá, conheci Alice.
Lá, conheci a verdadeira saudade.
Ouvíamos tantas histórias sem sentido para nós, mas com sentido no tempo deles;
Agora, tudo mudou.
São novas pessoas lá, e, ano a ano vamos sendo mais esquecidos.
Eu sabia que sentiria saudades, agora, a ficha caiu.
Em memória.
A todos que já foram esquecidos.
E, a todos que seram, inclusive eu.
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