sábado, 23 de junho de 2012

‘’Ah, eu tenho um plano sim, um plano meio fudido, pra ser sincero né? Mais é um plano...’’


Noite.
Vontades estranhas.
Sei lá, talvez mais uma fase de mudança.
Metamorfose.
Ela reclama, diz que tenho que mudar de emprego, que tenho que cortar o cabelo, que preciso de um projeto pra minha vida.
Diz que todos meus amigos tem planos pro futuro, menos eu. O problema, é que sou diferente deles, e ela talvez não saiba disso.
Ver a chuva cair não tem a mesma sensação de antes.
Conformei-me com os dias que passaram.
E não espero nada do futuro.
Sério mesmo.
Não quero ser nada, astronauta, jogador de futebol, poeta, suicida.
Suicida talvez...
Mas deixa pra lá...
Ela passa a mão no meu cabelo, faz carinho.
Eu dou um sorriso.
‘’Procure a felicidade!’’ diz a lata que me acorda todos os dias.
Procurei, achei, e, morri na praia.
Com o corpo estirado na areia, sem documentos, sem roupa, um indigente.
Sem cicatrizes, sem tatuagens, sem passado.
Sem ninguém pra chamar de amor, sem ninguém pra me fazer acordar cedo.
Apague a luz, e um beijo, meu amor.
(...)
O que você tá fazendo aqui?
Não sei, me pergunto isso sempre...
Você sumiu...
O problema não é sumir, é ser presente demais, dai sumir fica difícil quando se apega a algo.
Ela sorri, diz que sentiu minha falta, o engraçado é que nunca fiz nada pra alguém sentir minha falta.
Às vezes não e fazer falta, é a falta da presença.
Simples.
Pura.
Sempre fico por ali, nos mesmos cantos, com os mesmos amigos, com as mesmas piadas sem graça, e com a mesma falta de esperança de sempre.
Pergunta que horas vou acordar amanha, e penso se é um dia a menos, ou, um dia a mais.
Tudo era tão simples desse lado da cidade.
Tudo...
Pergunta a minha idade.
Diz que sou novo, e que ainda tenho muito tempo pela frente.
Sempre respondo que meu tempo já passou, e de que não sou daqui.
Talvez esse seja meu destino, embora eu não acredite em destino.
Procurar o meu lugar sem sair desse lugar.
Talvez isso só seja saudade.
Ou a falta.
‘’Só não me peça pra gostar, e se dispersa com o olhar de quem não pensa em voltar. ’’
Chuva.

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